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Dormir juntos. Mesmo que isso signifique dormir pior?

Dormir juntos. Mesmo que isso signifique dormir pior?

Estudo divulgado no Dia Mundial do Sono analisa os benefícios e os inconvenientes do sono partilhado.

Um Olhar Europeu com Franceinfo /
Alicia Windzio - DPA via AFP



Dormimos melhor em casal? Cerca de 30 milhões de franceses são casais e a maioria partilha a mesma cama. Ao mesmo tempo, o sono continua a deteriorar-se de ano para ano em França, tanto em termos de quantidade como de qualidade, adverte o Instituto Nacional do Sono e da Vigilância (INSV) no inquérito anual que assinala o Dia Mundial do Sono, esta sexta-feira, 13 de março.

O ritmo de vida, o stress, os ecrãs, a poluição... São muitos os fatores que perturbam o sono. Um deles é menos óbvio: dormir a dois, o que também pode trazer a sua quota parte de desconforto. 

Num estudo agora divulgado, o Instituto Flashs debruçou-se sobre esta questão, para compreender melhor o que é realmente dormir a dois.

"Os resultados deste inquérito revelam uma discrepância: a grande maioria das pessoas interrogadas diz gostar de partilhar a cama, mas isso não significa que durmam melhor com o seu parceiro", comenta Léa Paolacci, responsável da investigação da Flashs. Juntamente com Jonathan Taïeb, médico especialista em sono do hospital Hôtel-Dieu de Paris e diretor do Instituto Médico do Sono, a Franceinfo analisa os inconvenientes e as vantagens do sono partilhado.
Dormir juntos, mesmo que isso signifique dormir mal?
Nove em cada dez pessoas inquiridas no estudo Flashes afirmam que gostam de dormir juntas. 

"Há vantagens em dormir juntos", confirma o médico Jonathan Taïeb, "liberta endorfinas e oxitocina, as hormonas do bem-estar que ajudam a adormecer. Além disso, dá-nos uma sensação de segurança"

Partilhar a cama é tranquilizador e reconfortante para 46% das mulheres inquiridas pela Flashs, enquanto a maioria dos homens (59%) sublinha o aspeto agradável. "Tudo o que nos faz sentir bem vai ajudar-nos a adormecer", acrescenta o especialista do sono.

Quase sete em cada dez pessoas afirmam que dormir a dois não afeta a qualidade do seu sono, ou até a melhora, segundo o inquérito do instituto Flashs

Em contrapartida, um quarto das pessoas admite que o seu sono está a piorar, e são mais as mulheres (32%) do que os homens (19%). "Significa aceitar o ritmo e os hábitos da outra pessoa: adaptar-se à hora de deitar, de acordar ou aos hábitos noturnos. Todos estes pequenos compromissos podem, a longo prazo, ter um impacto negativo na qualidade do descanso", sublinha Léa Paolacci, da Flashs.
Partilhar a cama, uma solução de compromisso
Falta de espaço, dificuldade em adormecer ou voltar a adormecer, microdespertares noturnos devido ao ressonar ou a movimentos intempestivos - estes são apenas alguns dos inconvenientes de partilhar a cama. 

"É muitas vezes motivo de consulta", diz o especialista do sono Jonathan Taïeb. Até tenho duas poltronas para receber os doentes, porque muitas vezes vêm em casal. Aparecem na consulta por causa do parceiro, porque um problema de sono tem impacto na qualidade de vida do casal. Mas dormir juntos "permite-nos diagnosticar a apneia do sono, por exemplo", sublinha o médico.

A hora de deitar e de levantar da outra pessoa é outro motivo de desconforto mútuo. Três quartos dos inquiridos no estudo Flashs dizem que se adaptam à hora de deitar do parceiro, mais homens (76%) do que mulheres (67%). 

De manhã, um terço dos inquiridos diz-se incomodado pelo despertador do parceiro, mais mulheres do que homens (37% contra 25%).

Tal como noutras esferas, o telemóvel também ocupa muito espaço na cama partilhada e pode, por vezes, tornar-se incómodo. 

Para mais de um terço dos inquiridos, era impossível dormir enquanto a outra pessoa não pousasse o telemóvel, o que constituía uma fonte de incómodo, observa o estudo.

Com os ecrãs, "a primeira vítima é o sono", diz Jonathan Taïeb, que salienta que a luz azul dos ecrãs antes de dormir estimula a vigília, enquanto as notificações noturnas perturbam os padrões naturais do sono, desencadeando stress ou processos cognitivos. Mas o especialista do sono consiera que a situação deve ser relativizada porque "há doentes que relaxam vendo vídeos no telemóvel antes de se deitarem". 

"Se perdermos uma hora e meia de sono todas as noites, isso torna-se um problema, especialmente se estivermos a manter o nosso parceiro acordado. Aí, há coisas a ajustar".
Encontrar um equilíbrio
Existem muitas soluções, assegura o especialista do sono: "Entre as mais simples e eficazes estão as máscaras noturnas e os tampões para os ouvidos, que melhoram a qualidade do sono". 

Outras respostas dependem do problema em causa. É uma questão de avaliar o distúrbio do sono através da queixa do doente e das suas repercussões no casal e depois tratá-lo, eventualmente a dois", explica Jonathan Taïeb. Porque quando um doente tem uma perturbação do sono e o parceiro o pressiona, isso pode agravar a perturbação, nomeadamente nos doentes sonâmbulos, por exemplo".

Embora 60% das pessoas inquiridas não desejem alterar a atual forma de dormir em casal, o facto é que 40% aspiram a uma maior independência durante a noite, quer se trate de um edredão separado, um quarto só para si de vez em quando, ou mesmo de dormir separadamente. "A ideia de um quarto só para si de vez em quando agrada mais às mulheres (20%) do que aos homens (12%), as mesmas pessoas que mais frequentemente dizem que dormem menos bem em casal", observa o estudo.

O médico Jonathan Taieb, por seu lado, sugere que se encontre um equilíbrio entre os benefícios e os inconvenientes. "Podemos seguir o que fazem nos países nórdicos, ou seja, dormir no mesmo quarto com dois colchões separados, o que nos daria algumas das vantagens de dormir juntos, sem as desvantagens de partilhar uma cama e, em particular, um edredão". Para o especialista do sono, "somos todos diferentes quando se trata de dormir, tanto em termos das nossas necessidades como dos nossos ritmos, pelo que temos de pensar nas nossas necessidades em função da pessoa com quem dormimos".

*Metodologia: inquérito realizado pela Flashs para a Acar-Housses, entre 21 e 23 de janeiro de 2026, através de um questionário online. Amostra de 1.279 pessoas que vivem em casal, provenientes de um painel de dois mil francesas e franceses , representativos da população francesa com 18 ou mais anos.

Camille Laurent / 13 março 2026 05:41 GMT

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
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